sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Ela acorda todos os dias dentro daquela roupa engraçada que veste para dormir. Ultimamente, levanta, escova os dentes, come alguma coisinha que é pra não baixar a pressão e começa a pensar na vida, que aliás, anda meio sem graça. Na programação da TV, quase nunca encontra algo realmente interessante. Nada mais é tão interessante. E se lamenta com as paredes que sente saudade de uns velhos amigos e de alguns dias felizes que ficaram no passado. Não se acha feia, mas também não vê no espelho aquele mulherão que via antes. Talvez ela esqueça que programas de TV não valem a pena quando ela pode observar o mundo pessoalmente. Talvez esqueça que é preciso transpor as barreiras de espaço e tempo para estar perto de quem sentimos saudade, mas que de algumas pessoas e momentos, saudade é tudo o que vamos sentir. Talvez ela não perceba que por pior que seja um dia, ele passa e une-se aos outros dias felizes ou não, que ficaram pra trás. Talvez ela não perceba os motivos de sentir-se em crise consigo mesma, mas ela já descobriu que a graça da vida somos nós quem damos e por isso, amanhã vai sentir-se linda porque ela é e vai observar o mundo pessoalmente porque ela pode.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Dessa vez, vou dizer diretamente a você:

Esteja onde você quiser, aja como preferir, permaneça onde está ou apareça, se relance! Você tem todo o direito e acredite, alguns ficarão felizes... Sobre mim, você não se importaria, tenho certeza, de saber como teu nome me cansa. Mas eu que me vire pra lidar com isso. Acho mesmo que podemos conviver, se necessário for ou pelo menos, co-existir. E isso é tudo que posso te oferecer em troca da nostalgia que você, eventualmente, me oferece.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

- E mais uma loucura, não tenho mesmo juízo!
- O bom é que nunca teve, não acontece de ficar com aquele sentimento de culpa.
- Não fala assim!
- Você sabe que não é mentira.
Ficaram em silêncio e continuaram andando. O frio que fazia parecia congelar de vez aquela conversa. Todos sabiam o quanto ela era relapsa, displicente, doida mesmo. Mas ninguém dizia isso a ela, não do jeito que ele dizia, sem qualquer pretensão de afetar ou ofender. Dizia porque era verdade e pronto.
- Ainda com fome?
E quebrou o silêncio.
- Não, na verdade aqueles pastéis de queijo me deixaram cheia!
- Você só come besteiras, não sei como sobrevive.
- Hoje é o dia de falar dos meus defeitos?
- Me preocupo com a sua saúde, só isso.
Continuaram andando e a noite parecia menos iluminada por causa do nevoeiro encobrindo as lâmpadas. Pararam em frente à casa dele: pequena, portas e janelas de madeira escura, paredes em um tom feio de amarelo.
- Não vai entrar?
- Claro que sim! Vou congelar se continuar aqui fora...
Entrou apressada, tirou o par de botas e se jogou no sofá com os pés sobre o tapete. Ela sempre se jogava no sofá do mesmo jeito e ficava olhando para a luminária que havia ao lado.
- Está bem mais quentinho aqui dentro.
Ele permaneceu de pé e cruzou os braços enquanto a olhava.
- Você está muito atraente hoje...
- Eu sempre estou atraente! - disse rindo alto, como de costume -
- Mas hoje é especial.
- Ah, pare com isso! Não preciso que você seja o responsável por levantar minha auto-estima.
- Posso sentar do seu lado?
- É claro que pode. É o seu sofá e você está na sua casa.
- Eu sei. Meu sofá, minha casa e minha melhor amiga. Tem certeza de que tudo isso me pertence? - sentando-se ao lado dela -
- Ora, tenho sim!
Não disse mais nada. Segurou o rosto dela devagar, olhou no fundo daqueles olhos e deixou sua boca encostar nos lábios pintados de batom vermelho. Ela tentou escapar por alguns segundos, mas acabou permitindo que suas mãos fossem de encontro a nuca dele. Sentia seus olhos se fechando lentamente e sua mente despindo-se de qualquer raciocínio. Até então, ela achava que beijar o melhor amigo seria muito esquisito. Achava.
- Acredita que estou sendo inconsequente?
Ela o puxou de volta, dessa vez, voraz. Encostou novamente sua boca na dele, tirando-lhe depressa seu casaco.
- Você mesmo diz que não tenho juízo. Não me importo com as consequências [...]

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Passou da hora de voltar aqui. E as coisas não pararam de acontecer. Nunca param e ainda bem. Com o fim do ano se aproximando, a idéia de começar um novo ciclo dá mais sentido a tudo que planejamos. "Em 2010, vou arranjar um marido; conseguir um emprego novo; começar a dieta da sopa; comprar aparelhos de ginástica; rever alguns velhos amigos; cortar o cabelo na altura dos ombros; ajudar o abrigo de gatinhos de rua; ser mais responsável, menos fútil; ser mais amável, menos rude; levar minha filha à escola todos os dias; visitar meus pais que moram no Sul..." O intrigante é que muitos de nossos planos acabam ficando para o próximo ano e para o próximo e para o próximo, até que alguns deles, não concretizamos nunca. Por falta de oportunidade ou ainda, porque somos seres propensos a mudar de idéia. Ideia-sem-acento porque até mesmo esta, virá diferente para os próximos anos.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

E entrei no ônibus apressada, suada e quase sem ar. Me acomodei depressa catando ainda o dinheiro da passagem na bolsa. Dava pra ver que do lado de fora, era um lindo dia. Já tinha notado antes, mas olhando da janela, parecia ainda melhor. Não tinha como não reparar na cor do céu, do sol, das pessoas, das coisas. Passando pela ponte, o vento começou a entrar por todos os lados. Parecia dançar ali dentro trocando de janelas o tempo todo. Nunca havia sentido um vento tão agradável e tão convidativo. Entre cochilos e olhadas pra fora, resolvi que sairia do ônibus só quando tivesse que fazê-lo. Danem-se os planos e assim foi. De lá, fui andando com calma até onde eu pudesse pegar outra condução e voltar pra casa. Prestei atenção em cada rosto, cada som e depois, não percebi mais nada. Aquele vento veio de novo e por alguns minutos, ficamos só eu e ele. Não ouvia os barulhos da rua, das pessoas conversando. Tá certo que também não vi um ônibus vindo na minha direção. Não sentia mais meus pés doendo, nem calor, nem nada. Era como se de alguma forma quase inconsciente, eu tivesse sido capaz de anular o que havia em volta por completo. Então, uma senhora sorriu pra mim, me fazendo lembrar que eu estava cercada de gente. Sorri de volta e só. Continuei andando e imaginando pra onde as pessoas iam ou de onde estavam vindo, se eram legais, chatas, humildes, rudes, mães de família, filhos de pais separados. Enfim, se eram felizes.
- Linda linda linda!
Era uma voz masculina a qual eu não agradeceria, mas também não passaria indiferente. Talvez eu estivesse de fato linda linda linda e por hoje, livre livre livre...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"Diferente, mais sorridente." Deve ser.

sábado, 12 de setembro de 2009

Compreensão. Era só isso que eu esperava quando decidi que conquistaria amizades nessa vida. Me vieram muitas coisas boas, afetivas... Mas a tal da compreensão eu ainda espero que me seja oferecida cada vez, por mais amigos. Estou muito farta de cobranças e reclamações. Tudo seria mais fácil se fôssemos capazes de agir também ao invés de apenas esperar que os outros ajam. Vamos ligar pra conversar e matar saudade ao invés de soltar farpas de queixas; vamos nos ver e nos abraçarmos ao invés de só fazer cara feia. Porque se não, fica chato, fica um tédio, fica muito complicado.

ps: sucesso pra quem vai fazer UERJ amanhã! Alana, Daybes, Natasha, Mari-Mari, Rayane's e outros amiguinhos mais.